POR RICARDO MARQUES
Há situações em que a fumaça não prova a existência do incêndio. Mas prova, no mínimo, que alguém está brincando com fósforos perto do paiol.
O caso do São João de São Luís é uma delas.
Um chamamento público de R$ 10 milhões, recursos administrativos, ações judiciais, questionamentos sobre critérios adotados e suspeitas envolvendo relações entre empresas executoras e pessoas ligadas à estrutura responsável pelo processo.
Nada disso prova ilegalidade. Mas levanta dúvidas que exigem respostas.
Na mitologia grega, Dédalo construiu o famoso labirinto de Creta para confundir quem tentasse encontrar a saída. E é exatamente essa sensação que surge quando se observam os caminhos que ligam empresas, fornecedores e agentes públicos envolvidos na realização dos grandes eventos da cidade.
Talvez tudo esteja rigorosamente correto. Mas o poder público não tem apenas o dever de ser transparente. Tem o dever de parecer transparente.
Quando empresas afirmam não compreender os critérios das escolhas e os mesmos grupos aparecem repetidamente no centro das contratações, a desconfiança deixa de ser um problema jurídico e passa a ser um problema político.
A cultura não pode se transformar em um labirinto.
Porque, quando a clareza desaparece, a dúvida ocupa o seu lugar.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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