Ricardo Marques

Trair é da natureza humana ou escolha?

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 05/07/2026 07:10 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES

A traição sempre intrigou o ser humano — não apenas pelo ato em si, mas pelo abalo moral que ela provoca. Não é só a quebra de um pacto; é a quebra de uma expectativa, de uma confiança, de uma imagem que construímos do outro.

Mas por que as pessoas traem?

Alguns dirão que é desejo. Outros, carência. Há quem aponte o tédio, a vaidade…, a necessidade de afirmação. E há, ainda, os que recorrem à explicação mais confortável — ou mais perigosa: a de que trair faz parte da natureza humana.

A duquesa Úrsula de Bragança Ávila de Serafia — personagem de Débora Bloch em Cordel Encantado — disse uma frase provocativa: “O ciúme é privilégio dos inocentes… é para quem ainda não se deu conta que trair faz parte da natureza humana.”

Bonita. Forte. Mas será verdadeira?

Se a traição fosse apenas natureza, não haveria culpa.

E, no entanto, há.

O ser humano não é só impulso — é também consciência.

Não é só desejo — é também limite.

Trair pode até ser uma possibilidade humana.

Mas nunca foi uma obrigação.

Porque entre o querer e o fazer existe um espaço — e nesse espaço mora o caráter.

A traição, no fundo, revela menos sobre o amor e mais sobre quem trai. É um espelho imperfeito: reflete inseguranças, fraquezas, escolhas mal resolvidas.

E talvez o grande engano da frase da duquesa seja este:

não é o ciúme que pertence aos inocentes —

é a fidelidade que pertence aos conscientes.

Trair não é destino.

É decisão.

E toda decisão tem um preço.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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