POR RICARDO MARQUES
Na política brasileira, as conversões costumam acontecer sem batismo. Bastam as pesquisas de opinião e as projeções de cenários futuros.
Eduardo Braide sempre cultivou uma imagem curiosa: a do candidato que não era de direita nem de esquerda. Aquele que nem cheirava nem fedia. Era apenas… Eduardo Braide. Uma espécie de político “light”, pronto para agradar a todos.
Mas a campanha começou a exigir identidade.
E eis que surge a chapa.
Lahésio Bonfim, principal referência do eleitorado conservador no Maranhão. André Fufuca — aquele que acende uma vela para Deus e outra para o diabo. Elaine, aquela que não tem vergonha de assumir-se bolsonarista.
De repente, a neutralidade braideana saiu de cena.
É curioso. Durante anos, muitos políticos aqui no Maranhão escondiam qualquer proximidade com Bolsonaro. Hoje, alguns afoitos parecem disputar quem chega mais perto do eleitor bolsonarista.
Não é exatamente uma mudança de convicções — a maioria dessa turma vai de uma extremidade à outra num piscar de olhos. É uma mudança de endereço eleitoral.
Na política, a ideologia às vezes funciona como GPS. Quando o mapa muda, recalcula-se a rota.
O mais interessante é que Braide sempre vendeu a imagem do gestor técnico, distante das guerras ideológicas. Agora percebeu que eleição para governador não é concurso para síndico. É disputa de identidade.
No fim das contas, talvez a maior novidade da chapa não sejam os nomes.
É a confissão silenciosa de que, para vencer a eleição, já não basta parecer eficiente. É preciso dizer a que tribo se pertence.
E essa talvez seja a maior mudança da política maranhense.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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