POR RICARDO MARQUES
Quem ainda acredita que os partidos tomam decisões apenas para vencer eleições majoritárias talvez não esteja acompanhando o jogo.
Aqui no Maranhão o Avante teria negado a legenda ao deputado federal Duarte Jr. para uma candidatura ao Senado porque a prioridade do partido é outra: eleger deputados federais.
E faz sentido.
Quanto maior a bancada na Câmara, maior o peso político do partido em Brasília. Maior o acesso aos fundos partidário e eleitoral. Maior o tempo de propaganda. Maior o poder de negociação.
Em outras palavras, para muitos partidos, um deputado federal pode valer mais do que um senador.
Se essa informação se confirmar, ela mostra que a estratégia nacional está prevalecendo sobre os interesses locais. Não se trata de simpatia ou antipatia por este ou aquele candidato. Trata-se de uma decisão baseada em cálculo político.
Essa lógica não parece estar restrita ao Maranhão. No Ceará, por exemplo, o mesmo Avante anunciou como prioridade o fortalecimento de suas chapas proporcionais, o que indica uma estratégia nacional voltada à ampliação da bancada na Câmara dos Deputados.
No caso de Duarte, o Avante ainda não apresentou sua versão. A direção nacional do partido — ou mesmo a estadual — deve se manifestar.
Ainda assim, o episódio serve para uma reflexão importante.
Os partidos deixaram de pensar apenas na próxima eleição. Estão pensando na próxima legislatura, no tamanho de suas bancadas e na estrutura de poder que isso representa.
No Brasil de hoje, a disputa por cadeiras na Câmara pode ser mais decisiva para um partido do que uma vaga no Senado.
E isso ajuda a explicar muitas decisões que, à primeira vista, parecem não fazer sentido.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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