POR RICARDO MARQUES
A atual pré-campanha eleitoral no Maranhão virou um festival de versões. Nunca se mentiu tanto. Cada grupo tem a sua “verdade”, cada aliado tem uma memória seletiva e cada adversário virou especialista em reescrever o passado como quem atualiza um currículo no LinkedIn.
Todo bom advogado criminalista aprende cedo uma regra de sobrevivência: em ação penal por homicídio, desconfie de tudo. Todo mundo vai mentir para você. O cliente mente para se proteger. A testemunha mente para aparecer. O policial, às vezes, omite para fechar a narrativa. O promotor exagera na acusação. E o processo vira um quebra-cabeça montado com peças de caixas diferentes.
Pois bem… a política maranhense conseguiu superar isso.
Hoje, os candidatos não mentem apenas sobre o futuro. Mentem sobre o presente, sobre o passado e, se necessário, até sobre aquilo que disseram cinco minutos antes.
É um verdadeiro Congresso de Pinóquios. Se o nariz crescesse a cada lorota, faltaria madeira na Amazônia.
Na mitologia grega, havia Proteu, o deus que mudava de forma para escapar da verdade. Nossos pré-candidatos aperfeiçoaram a técnica. Mudam de discurso, de aliados, de convicções e, quando confrontados, mudam até de versão sobre a mudança de versão.
George Orwell escreveu que, em tempos de mentira universal, dizer a verdade se torna um ato revolucionário. O problema é descobrir quem ainda sabe onde ela foi parar.
No fim das contas, o eleitor precisa virar detetive. Precisa ouvir todos os lados, eliminar os exageros, desconfiar das certezas absolutas e reconstruir os fatos quase como um perito reconstruindo a cena de um crime.
Porque, na política de hoje, a primeira vítima não é a reputação de ninguém.
É a verdade.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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