POR RICARDO MARQUES
Há momentos em que a política deveria falar menos… e sentir mais.
O debate político é legítimo.
As críticas fazem parte da democracia. Protestos podem ser questionados e manifestações podem ser interpretadas de diferentes maneiras.
Tudo isso faz parte do jogo democrático.
Mas existe um território que exige prudência: o território da dor.
Pais e mães que perderam um filho carregam uma ferida que nenhuma eleição é capaz de curar.
Antes de qualquer análise sobre motivações, estratégias ou interesses políticos, essas pessoas merecem respeito.
Merecem ser acolhidas como seres humanos.
Quando o sofrimento passa a ser visto primeiro pela lente da disputa eleitoral, corremos o risco de perder algo muito maior do que uma campanha: perdemos a sensibilidade.
A política existe para servir às pessoas, não para disputar a propriedade da dor delas.
Governos passam.
Mandatos terminam.
Campanhas acabam.
O luto permanece.
E talvez o maior gesto de grandeza de um homem público não seja vencer um debate, mas compreender que existem dores diante das quais o respeito vale mais do que qualquer discurso.
Porque o poder pode até ser conquistado sem sensibilidade.
Mas, quando a política deixa de reconhecer a dor de quem sofre, ela continua existindo…
Só que perde a alma.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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