POR RICARDO MARQUES
Toda investigação precisa ser firme.
Mas toda investigação também precisa ser prudente.
Nesta semana, veio à tona um detalhe importante de uma operação da Polícia Federal: a Procuradoria-Geral da República considerou precipitada a realização de buscas e apreensões em endereços ligados ao senador Weverton Rocha e ao advogado Willer Tomaz, entendendo que outras medidas, menos invasivas, poderiam atender às necessidades da investigação. Ainda assim, o Supremo autorizou as diligências.
Não cabe aqui discutir quem tem razão no caso concreto.
O que merece reflexão é outra coisa.
No Estado Democrático de Direito, o poder de investigar não pode caminhar sozinho. Ele precisa conviver com freios, controles e divergências institucionais. E isso não enfraquece a Justiça. Ao contrário, fortalece.
Uma busca e apreensão não é uma simples formalidade. Ela expõe pessoas, famílias, empresas e reputações. Muitas vezes, a imagem da operação percorre o país inteiro. Já uma eventual absolvição, anos depois, quase nunca recebe a mesma atenção.
É por isso que medidas dessa natureza exigem necessidade, proporcionalidade e responsabilidade.
Investigar é indispensável.
Mas preservar garantias individuais também é.
Porque, quando a exceção vira rotina, o risco deixa de atingir apenas os investigados.
Passa a atingir todos nós.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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