POR RICARDO MARQUES
Há uma pergunta incômoda que precisa ser feita: quando um político troca o palanque pela toga, quanto tempo é necessário para que desapareçam as sombras das antigas disputas?
Flávio Dino governou o Maranhão, liderou um grupo político, construiu alianças, enfrentou adversários e participou intensamente das batalhas do poder.
Hoje, ministro do Supremo Tribunal Federal, é chamado a julgar processos envolvendo personagens desse mesmo ambiente político.
A questão não é apenas saber se Dino está legalmente impedido ou suspeito. Isso cabe ao Direito decidir.
A questão é maior: convém ao Supremo permitir que permaneça qualquer dúvida sobre a imparcialidade de seus julgamentos?
Na entrevista que deu à revista Veja, o governador Carlos Brandão trouxe o problema a público. Pode haver interesse político em sua crítica? Evidentemente. Mas isso não elimina a discussão.
Porque a credibilidade de uma Suprema Corte depende também da confiança que suas decisões inspiram.
Dino tem o direito de exercer plenamente seu papel de ministro. Mas o STF tem o dever de proteger algo ainda maior: a própria imagem da Justiça.
No Supremo, tão importante quanto fazer Justiça é não permitir que paire sobre ela a sombra da política.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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