POR RICARDO MARQUES
O caso envolvendo o jornalista Luís Pablo e o ex-secretário Raimundo Cutrim ultrapassou as fronteiras do Maranhão e chegou ao debate nacional.
E trouxe uma questão que não pode ser tratada como briga política entre aliados e adversários de quem quer que seja.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Cutrim teria sido identificado como fonte do jornalista a partir de material apreendido durante uma investigação. Depois, ele próprio tornou-se alvo de busca e apreensão.
O episódio provocou reação de entidades representativas da imprensa, preocupadas com a preservação de uma garantia expressamente prevista na Constituição: o sigilo da fonte.
E aí está o ponto.
Não se trata de saber se gostamos do jornalista, da fonte, do investigado ou do ministro que determinou a medida.
Garantias constitucionais não existem apenas para aqueles de quem gostamos.
Se o material apreendido de um jornalista pode levar à identificação de sua fonte e essa fonte, em seguida, torna-se alvo de uma operação, a pergunta é inevitável: que segurança terá amanhã alguém que procure a imprensa para revelar uma informação de interesse público?
O sigilo da fonte não é privilégio do jornalista.
É uma proteção ao direito da sociedade de ser informada.
E quando a fonte passa a ter medo de falar, o jornalismo perde.
E a democracia também.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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