POR RICARDO MARQUES
As revelações sobre as investigações que envolvem a política do Maranhão são gravíssimas.
Há suspeitas de corrupção, desvio de recursos, obstrução da Justiça e até conexões com um homicídio. Tudo isso precisa ser investigado — sem proteção para ninguém.
Mas justamente por serem tão graves, essas investigações precisam produzir não apenas Justiça. Precisam transmitir confiança na Justiça.
E aí surge uma questão inevitável.
As decisões tornadas públicas atingem personagens importantes da atual disputa política maranhense. Entre eles, o governador Carlos Brandão,
seu sobrinho Daniel Brandão e o ex-secretário Raimundo Cutrim.
Ao mesmo tempo, existem personagens e circunstâncias mencionados na história desse caso cuja eventual relevância para a investigação precisa ser esclarecida.
Isso significa que essas pessoas cometeram algum crime?
Evidentemente, não.
Significa apenas que, quando uma investigação dessa dimensão se mistura a um ambiente político profundamente dividido — e às vésperas de uma eleição —, qualquer aparência de tratamento desigual precisa ser afastada com fatos e transparência.
Flávio Dino foi governador do Maranhão, participou diretamente da construção do grupo político que hoje está dividido e agora, como ministro do Supremo, relata processos que alcançam personagens dessa mesma guerra política.
Não estou questionando culpa ou inocência de ninguém.
Estou fazendo uma pergunta anterior a tudo isso: uma investigação tão grave não precisa ser também suficientemente ampla e transparente para que ninguém possa suspeitar que alguns são investigados com lupa enquanto outros permanecem fora do enquadramento?
Justiça não pode escolher lado.
Mas também não pode parecer que escolhe.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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