Ricardo Marques

O paradoxo da pobreza

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 26/08/2026 07:33 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

Os números às vezes contam histórias que a política prefere simplificar.

Em 2021, 22,8% dos maranhenses viviam em extrema pobreza. Em 2022, o índice caiu para 15,2%. Em 2023, chegou a 12,2%. E, em 2024, atingiu 10,2%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

Um estudo publicado este ano pelo Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza, da Universidade Federal do Maranhão, ajuda a compreender esse cenário: houve avanço, mas a pobreza permanece como um problema estrutural do estado.

E há um dado que chama atenção.

Durante boa parte do governo Flávio Dino, a extrema pobreza cresceu. Em 2015, estava em 17,7%. Em 2019, portanto, antes da pandemia, chegou a 22,7%.

A queda mais consistente aparece nos anos seguintes e atravessa a transição para Carlos Brandão.

Isso significa atribuir o resultado exclusivamente ao governo estadual?

Não.

Emprego, renda, salário mínimo e programas federais de transferência de renda também exercem enorme influência.

Mas existe um fato objetivo: foi durante o governo Brandão que o Maranhão alcançou o menor índice de extrema pobreza dessa série histórica — Eram 1,5 milhão de pessoas, segundo o IBGE. Agora são 170 mil, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas.

E aí está o paradoxo.

O Maranhão avançou como poucas vezes nesse indicador, mas continua convivendo com níveis elevados de pobreza.

Reconhecer a melhora não é fazer propaganda. Ignorar o tamanho do problema também não é fazer jornalismo.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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