POR RICARDO MARQUES
Os números às vezes contam histórias que a política prefere simplificar.
Em 2021, 22,8% dos maranhenses viviam em extrema pobreza. Em 2022, o índice caiu para 15,2%. Em 2023, chegou a 12,2%. E, em 2024, atingiu 10,2%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
Um estudo publicado este ano pelo Grupo de Avaliação e Estudo da Pobreza e de Políticas Direcionadas à Pobreza, da Universidade Federal do Maranhão, ajuda a compreender esse cenário: houve avanço, mas a pobreza permanece como um problema estrutural do estado.
E há um dado que chama atenção.
Durante boa parte do governo Flávio Dino, a extrema pobreza cresceu. Em 2015, estava em 17,7%. Em 2019, portanto, antes da pandemia, chegou a 22,7%.
A queda mais consistente aparece nos anos seguintes e atravessa a transição para Carlos Brandão.
Isso significa atribuir o resultado exclusivamente ao governo estadual?
Não.
Emprego, renda, salário mínimo e programas federais de transferência de renda também exercem enorme influência.
Mas existe um fato objetivo: foi durante o governo Brandão que o Maranhão alcançou o menor índice de extrema pobreza dessa série histórica — Eram 1,5 milhão de pessoas, segundo o IBGE. Agora são 170 mil, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas.
E aí está o paradoxo.
O Maranhão avançou como poucas vezes nesse indicador, mas continua convivendo com níveis elevados de pobreza.
Reconhecer a melhora não é fazer propaganda. Ignorar o tamanho do problema também não é fazer jornalismo.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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