POR RICARDO MARQUES
Flávio Dino deixou a política.
Pelo menos, oficialmente.
Mas uma reportagem da Folha de S.Paulo revela que a política maranhense ainda não deixou Flávio Dino.
A matéria mostra que antigos aliados continuam invocando o nome do ministro em articulações envolvendo candidaturas, vagas no Tribunal de Contas e a reunificação do grupo político que ele próprio liderou.
Em um áudio até então inédito, uma voz parecida com a do deputado Rubens Júnior afirma que Dino não abriria mão da candidatura de Felipe Camarão porque Felipe seria “como se fosse um filho” para ele.
Rubens nega que Dino tenha participado de qualquer negociação. O ministro também afirma que está afastado da política e que não existe motivo legal para se declarar impedido nos processos envolvendo o Maranhão.
Mas a questão já ultrapassou a letra fria da lei.
Um juiz não precisa apenas ser imparcial. Precisa também inspirar confiança em sua imparcialidade.
E como preservar essa confiança quando o ministro relata processos capazes de interferir diretamente na guerra entre seus antigos aliados?
Como ignorar que decisões tomadas em Brasília produzem efeitos políticos imediatos no Maranhão?
Não se trata de condenar Dino antecipadamente.
Trata-se de reconhecer que a dúvida deixou de ser simples acusação de adversários e se transformou em um grave problema institucional.
Ao assumir o Supremo, Dino prometeu abandonar a política em todas as suas dimensões.
Talvez ele tenha realmente saído dela.
A pergunta que permanece é outra:
A política saiu de Flávio Dino?
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!