POR RICARDO MARQUES
“A vaidade é o meu pecado favorito.”
A frase é de John Milton — o diabo —, interpretado por Al Pacino em “O Advogado do Diabo”.
Na República brasileira, essa frase encontra terreno fértil.
As reportagens sobre Alexandre de Moraes, os voos em jatinhos ligados a Vorcaro e o contrato do escritório de sua mulher, somadas à imagem de Paulo Gonet com o banqueiro entre charutos e uísque, exigem explicações.
Esses episódios, por si, não provam corrupção. Mas provocam uma pergunta: por que quem já tem tanto poder aceita tamanha proximidade com interesses privados?
Talvez a vaidade comece aí: quando o agrado parece homenagem; o privilégio, merecimento; e o cargo, passaporte para um mundo sem limites.
Chamar isso de ingenuidade seria confortável demais. De autoridades tão preparadas, exige-se discernimento. Quem exerce o poder precisa desconfiar dos próprios encantamentos.
Porque a vaidade pode abrir uma porta cuja conta chega para a República inteira.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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