POR RICARDO MARQUES
Arnaldo Jabor dizia que o Brasil havia transformado seus partidos numa confusa sopa de letras.
O tempo passou, mas a sopa continua servida: são 30 partidos registrados no TSE e outros 23 tentando entrar no cardápio.
Em tese, isso expressaria a pluralidade democrática. Na prática, muitas legendas representam menos ideias do que interesses, grupos e projetos pessoais de poder.
Mudam de nome, fazem fusões, formam federações e trocam de posição conforme a conveniência eleitoral.
O problema não é o pluralismo.
É a proliferação de siglas sem identidade, programa reconhecível e, muitas vezes, com donos.
Esse excesso fragmenta o Congresso e transforma cada votação numa negociação de cargos, verbas e vantagens.
O presidente acaba governando como síndico de um condomínio com 30 blocos — e cada bloco quer uma chave do cofre.
Democracia não se fortalece pela quantidade de siglas, mas pela qualidade das ideias e pela fidelidade ao eleitor.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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