Ricardo Marques

A direita avança. E Lula?

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 06/10/2026 09:26 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

As urnas deram um recado que vai além da corrida presidencial: a direita ampliou sua força no Congresso e consolidou presença nos governos estaduais. O PL conquistou sua maior bancada na Câmara e elegeu 19 senadores. Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com vantagem eleitoral e aliados fortalecidos.

Esse movimento não se resume ao Brasil. Com diferenças entre países, forças de direita crescem explorando o descontentamento com o custo de vida, a insegurança e a distância entre os cidadãos e as elites políticas.

Na minha avaliação, parte da esquerda erra quando responde à insatisfação popular com uma aula de superioridade moral. Quando trata o eleitor conservador como ignorante, a preocupação com a violência como autoritarismo e a fé como atraso.

Quem teme sair de casa quer segurança. Quem trabalha quer chegar ao fim do mês. E quem reclama do preço da comida não se sente necessariamente representado por um discurso sobre os bons indicadores da economia.

Direitos e diversidade são fundamentais. Mas precisam caminhar junto com emprego, renda e proteção. A esquerda perde terreno quando parece falar mais para seus próprios círculos do que para quem pretende representar.

Lula ainda pode vencer?

Pode. Mas terá de contrariar a história: desde 1989, todos os vencedores das eleições presidenciais que tiveram segundo turno também lideraram o primeiro. É um precedente forte, não uma sentença.

A distância entre os dois ficou perto de dois pontos percentuais. Há disputa. Mas votos de candidatos eliminados não são propriedade de ninguém, e apoio de governador não transfere eleitor automaticamente.

Podemos esperar uma campanha mais dura, marcada pela rejeição, pela busca do eleitor de centro e pela mobilização de quem não votou.

Flávio tentará transformar a vantagem em vitória. Lula precisará mostrar por que merece mais quatro anos.

Porque o passado pode credenciar um candidato. Mas é a expectativa de futuro que decide uma eleição.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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