POR RICARDO MARQUES
O Brasil precisa parar de produzir filmes sobre presidentes e começar a filmar os bastidores do financiamento. O suspense parece muito melhor.
Lula chamou Daniel Vorcaro de mágico e defendeu uma investigação “doa a quem doer”.
Pois a VEJA publicou uma história que pode testar essa disposição para a dor.
Segundo a revista, Vorcaro afirma ter pago 30 milhões de reais, em espécie, para financiar um documentário sobre Lula, além de outros valores ao Instituto Lula.
O banqueiro relaciona os pagamentos a uma negociação com João Vaccari Neto para acessar recursos de fundos de pensão.
A acusação é de trinta milhões em dinheiro vivo! Pelo relato, o documentário precisava menos de câmera e mais de carro-forte.
São acusações que precisam ser comprovadas. Mas precisam ser esclarecidas também.
O Instituto Lula nega ter recebido dinheiro ou participado da captação para o filme.
A Polícia Federal diz que não recebeu depoimento nem documentos com esse conteúdo.
Segundo a Folha, integrantes da PGR também contestam a existência do anexo.
A VEJA mantém a denúncia e afirma que o relato chegou à Procuradoria pelos advogados.
Então vamos conferir. Houve pagamento? A quem? Onde estão as provas?
Afinal, “doa a quem doer” precisa valer também quando a dor chega perto de casa.
Vorcaro, segundo a própria reportagem, circulava do PL ao PT. Um banqueiro de notável vocação ecumênica: diante do dinheiro, as divergências ideológicas encontravam uma convivência comovente.
E o cidadão?
Continua na plateia, tentando descobrir quem financiou o espetáculo.
Se as acusações forem falsas, que isso seja demonstrado na apuração. Se forem verdadeiras, que venham as consequências.
Porque o Brasil já tem muito ator posando de santo.
Está faltando luz nos bastidores.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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