POR RICARDO MARQUES
O presidente Lula convocou a sociedade a pressionar no debate sobre as bets no Supremo Tribunal Federal.
Mas há uma pergunta que o discurso presidencial não consegue apagar: qual foi a responsabilidade do próprio governo nessa história?
As apostas esportivas foram legalizadas no governo Temer. Bolsonaro deixou a regulamentação pendente. E Lula sancionou, em 2023, a lei que também legalizou os jogos de cassino on-line.
Seu governo apresentou a regulamentação como instrumento de controle, mas também como fonte de arrecadação.
Ontem, receita para o Tesouro. Hoje, sofrimento do povo.
A contradição exige explicação.
Agora, depois de proibir as bets por medida provisória, Lula procura ocupar o papel de defensor das famílias.
Pode mudar de posição. Deve corrigir erros.
Mas precisa reconhecer a própria responsabilidade.
Participar de uma audiência pública é legítimo.
O problema é um presidente convocar pressão sobre o Tribunal e dividir o debate entre defensores do povo e aliados de quem explora seu sofrimento.
O Supremo precisa decidir com independência, à luz da Constituição. Popularidade não substitui fundamento jurídico.
E proteger as famílias exige mais do que discurso inflamado e demagógico: exige assumir as consequências das próprias escolhas.
Quem ajudou a ampliar esse mercado deve explicações ao país.
Veja o Comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O Comentário do Dia, com Ricardo Marques
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