POR RICARDO MARQUES
Toda despedida carrega um pequeno luto. Até quando necessária. Até quando correta.
Porque partir nunca é apenas mudar de lugar — é arrancar um pedaço da rotina, da memória, da esperança que alguém construiu ao nosso lado.
Muita gente pergunta se é possível dizer adeus sem magoar. Talvez não completamente. Porque quem foi importante deixa marcas. E marcas, às vezes, doem.
O problema não está apenas na partida… mas na forma como se parte.
Há adeus que ferem pela covardia. Pela ausência de palavras. Pelo silêncio cruel de quem desaparece sem explicação. Mas existem despedidas honestas. Aquelas em que alguém tem coragem de dizer: "Cheguei ao fim da minha jornada aqui.”
E honestidade, embora doa, costuma ferir menos que a mentira prolongada.
Nem sempre o amor acaba. Às vezes, acaba a capacidade de permanecer. Às vezes, os caminhos simplesmente deixam de caminhar juntos.
O mais difícil é aceitar que certos ciclos não nasceram para durar para sempre. Algumas pessoas chegam para ser morada. Outras, apenas passagem. E maturidade talvez seja compreender isso sem transformar lembranças em rancor.
Quando uma jornada chega ao fim, resta a dignidade do último gesto. Sair sem destruir.
Partir sem humilhar. Levar consigo a gratidão pelo que foi bom.
Porque há despedidas que encerram histórias… e há despedidas que revelam caráter.
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Fonte: O Comentário do Dia, com Ricardo Marques
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