Ricardo Marques

Entre a saudade e o que fica

Publicado: 27/07/2025 11:15 - Atualizado em 27/07/2025 11:38 - 0 comentário


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João Marques

Há dias em que a luz parece mais opaca — ainda que, lá fora, o sol brilhe intensamente —; em que a vida desacelera e o peito pesa por lembranças que insistem em voltar. Dias sorumbáticos são inevitáveis. Não há como fugir deles — e talvez nem devêssemos tentar. Porque, nesses momentos silenciosos, em que o mundo lá fora continua girando, mas por dentro tudo parece suspenso, mora também a essência do que somos: seres profundamente afetivos, frágeis, saudosos.

A saudade não é um defeito da alma, mas uma de suas funções mais nobres — e as pessoas não deveriam envergonhar-se por senti-la. É ela que dá peso às memórias, que colore o passado com significados que só o tempo é capaz de revelar. É o que acontece, por exemplo, quando pensamos em alguém que partiu cedo demais.

Uma pena meu pai ter morrido tão jovem — 30 anos apenas. Quem o conheceu diz que tenho muito dele. Falam que esse meu jeito de 5ª série — de rir de si mesmo, levar as dores do mundo numa boa e não temer desafios — era típico dele. Teríamos sido grandes amigos, com certeza!

E é essa certeza que sustenta a saudade. Porque ela não é só ausência — é também presença que ficou, traço herdado, riso parecido, coragem silenciosa que se carrega adiante. Não há como evitar a saudade, nem os dias nublados em que ela se impõe. Mas há como acolhê-los. Porque são eles que nos lembram que amar, perder e lembrar é, no fim das contas, o que nos faz profundamente humanos.

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