Mais de sete meses após a tragédia que matou 14 pessoas e deixou três desaparecidas, a Polícia Federal concluiu a perícia sobre o desabamento da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Estreito (MA) a Aguiarnópolis (TO). O laudo, obtido com exclusividade pelo Fantástico, aponta que o colapso foi causado pela deformação do vão central devido ao excesso de peso dos veículos. A estrutura cedeu em menos de um segundo, enquanto 18 pessoas caíam no rio Tocantins — apenas uma sobreviveu.
Construída na década de 1960 com tecnologia inovadora para a época, a ponte não acompanhou o aumento do tráfego pesado e apresentava desgaste acentuado. A última grande reforma ocorreu entre 1998 e 2000. Peritos destacaram que alterações feitas nesse período podem ter comprometido a estrutura. Em 2020, um relatório técnico encomendado pelo DNIT já alertava para problemas graves, mas a obra de recuperação não saiu do papel. Uma tentativa de licitação em 2024 fracassou, e a ponte caiu antes de nova contratação.
A PF investiga agora a responsabilidade de gestores públicos pela omissão na manutenção. Para o delegado Allan Reis de Almeida, o desastre não foi imprevisível, mas resultado de negligência. O DNIT informou que o caso está na corregedoria. O então superintendente regional no Tocantins foi exonerado em abril e nega culpa.
Entre as vítimas estão três membros da mesma família, que viajavam de Palmas para o Maranhão. Apenas o corpo da mulher foi encontrado. A ponte foi implodida em fevereiro, e uma nova estrutura, com 630 metros de extensão, está em construção. Enquanto isso, a travessia é feita por balsas, com longas filas de espera. A PF vê o caso como um alerta sobre a importância da manutenção preventiva e monitoramento de cargas em estruturas antigas.
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!