O escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS era de conhecimento do governo Bolsonaro desde 2019. Durante audiência da CPMI do INSS, o deputado Alencar Santana (PT/SP) revelou que o Procon-SP enviou naquele ano um ofício ao Ministério da Economia alertando sobre os descontos não autorizados em benefícios previdenciários.
O documento, baseado em mais de 16 mil queixas de consumidores, denunciava que associações e sindicatos vinham realizando cobranças indevidas diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas. O Procon solicitava medidas urgentes, como a suspensão das autorizações das entidades envolvidas, a revisão dos convênios com o INSS e a reparação aos prejudicados.
O ofício também registra que o então diretor executivo do Procon-SP, Fernando Capez, participou de uma reunião no Ministério da Justiça com o ex-ministro Sergio Moro e o ex-presidente do INSS, Renato Vieira, para tratar do caso. Mesmo assim, nenhuma providência foi adotada pelo governo Bolsonaro.
A omissão permitiu a continuidade de um esquema bilionário que lesou aposentados e pensionistas em todo o país — muitos vivendo com apenas um salário mínimo. Agora, as investigações da CPMI evidenciam não apenas o tamanho da fraude, mas também a negligência de quem tinha o dever de agir para proteger os mais vulneráveis.
Veja o ofício do Procon/SP (aqui).
Veja a denúncia de Alencar Santana na CPMI (aqui).
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!