POR RICARDO MARQUES
Para compreender minimamente a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, é preciso ir além da retórica simplista do bem contra o mal. Não há mocinhos nessa história. De um lado, há o regime do ditador Nicolás Maduro, que consolidou um poder autoritário ao longo dos anos: controlou o Judiciário e o Legislativo, sufocou a imprensa independente e promoveu eleições cercadas de desconfiança, apenas para manter a aparência de uma democracia que, na prática, não existia. O resultado está à vista: um país riquíssimo em recursos naturais, mas com um povo empobrecido, sem perspectivas e privado de liberdades básicas.
Por outro lado, não se pode romantizar qualquer iniciativa externa como se fosse um ato de libertação. A postura de Donald Trump — que tem vocação autoritária — jamais indicou preocupação genuína com a democracia venezuelana ou com o sofrimento do seu povo. O interesse estratégico sempre foi claro: o petróleo. A Venezuela possui a maior reserva do mundo — mais de 300 bilhões de barris, segundo estimativa da OPEP — a Organização dos Países Exportadores de Petróleo —, e isso, claro, pesa muito mais na balança geopolítica do que discursos sobre direitos humanos.
É preciso dizer com clareza: a ação dos Estados Unidos não pode ser vendida como uma cruzada pela democracia. O governo Trump nunca demonstrou real interesse em libertar o povo venezuelano da tirania. O petróleo sempre falou mais alto.
Ditaduras internas e intervenções externas movidas por interesses econômicos não constroem liberdade nem justiça.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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