POR RICARDO MARQUES
Donald Trump tenta justificar a invasão à Venezuela com um pacote conhecido de argumentos: combate ao narcotráfico, defesa da democracia, segurança regional e contenção de influências estrangeiras. Nenhum deles se sustenta quando analisado com seriedade.
O narcotráfico não nasceu na Venezuela e jamais foi combatido com bombas e tanques. Se esse fosse o critério, metade do continente estaria sob intervenção militar. Falar em democracia soa ainda mais contraditório quando parte de um líder que flerta abertamente com práticas autoritárias e despreza instituições quando elas o contrariam.
Também não convence o discurso de ameaça externa. Rússia, China e Irã são usados como espantalhos geopolíticos para legitimar uma ação que viola o direito internacional e ignora a soberania dos povos. E a crise migratória, embora real e dramática, é consequência direta de décadas de autoritarismo interno — não uma autorização para guerra.
Tio Sam está mais interessado é no petróleo venezuelano. Na maior reserva de petróleo do mundo, com seus mais de 300 bilhões de barris, para ser mais claro.
Nada disso, porém, absolve Nicolás Maduro. Ele é um ditador infame, que capturou o Estado, destruiu a economia, calou a imprensa e submeteu seu povo à miséria em nome da própria permanência no poder.
Entre uma tirania interna e uma intervenção externa movida por interesses econômicos, o povo venezuelano segue sendo a maior vítima.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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