POR RICARDO MARQUES
Algo muito grave acontece quando quem combate o crime organizado resolve entregar o distintivo — não por covardia, mas por cansaço moral.
Dez promotores do Gaeco — o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas — espécie de "tropa de elite" do Ministério Público, digamos assim — pediram exoneração coletiva no Maranhão. Não foi greve, não foi bravata. Foi um grito silencioso de desalento.
Eles investigaram, prenderam, reuniram provas de um esquema que sangrou uma cidade inteira. E, no meio do caminho, a própria instituição — o MP — diz: “Pode soltar”. Solta o prefeito, solta vereadores, solta operadores financeiros. Afinal, cadeia é só um detalhe. O essencial é manter a liturgia, os pareceres elegantes, a sensação de normalidade.
O recado é devastador: investigue com rigor, mas não leve tão a sério. Combata o crime, mas sem constranger o sistema.
O Gaeco disse “não” a essa encenação. Preferiu sair a compactuar.
Quando promotores pedem exoneração para preservar a consciência, o problema não é deles. É do Estado. Porque o crime organizado entende rápido esses sinais — e agradece.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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