POR RICARDO MARQUES
Há decisões que não apenas aplicam a lei — elas restauram o senso comum. O Tribunal de Justiça do Maranhão fez exatamente isso ao manter a prisão dos investigados da Operação Tântalo II, contrariando o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça e referendando, com clareza solar, a atuação do GAECO.
Num país onde a corrupção costuma sair pela porta da frente, escoltada por pareceres elegantes e tecnicamente “compreensivos”, a decisão da desembargadora Maria da Graça Amorim soa quase subversiva: / levar a sério a gravidade dos fatos. Risco à ordem pública, interferência nas investigações, continuidade delitiva. Tudo aquilo que o GAECO disse — e que a PGJ resolveu relativizar, como se estivéssemos falando de um descuido contábil, não de mais de 43 milhões de reais sugados do município.
O recado foi claro: não basta o carimbo do cargo máximo do Ministério Público quando o conteúdo falta. O Judiciário ouviu quem investigou, quem foi a campo, quem seguiu o rastro do dinheiro. E ao fazê-lo, expôs o isolamento da Procuradoria-Geral e devolveu prestígio ao trabalho técnico, sério e corajoso do GAECO.
Em tempos de normalização do absurdo, esta decisão lembra que a lei ainda pode ser mais forte que o jeitinho — quando há coragem para aplicá-la.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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