Ricardo Marques

Petróleo, lama e a cegueira do progresso

Por: O comentário do dia de Ricardo Marques | Publicado: 14/01/2026 08:25 - 0 comentário


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POR RICARDO MARQUES 

Há algo de profundamente errado quando o progresso chega pingando lama no mar. Na foz do Amazonas, onde a natureza ainda respira em escala planetária, vazaram 15 mil litros de fluido de perfuração — e chamam isso de “normal”. Normal para quem? Para o peixe? Para o mangue? Para os povos que vivem da água e não do discurso?

Invoca-se o crescimento, a soberania energética, o futuro. Mas o futuro, aqui, escorreu num domingo qualquer, a 175 quilômetros da costa, revelando que as promessas de segurança são frágeis como papel molhado. Fala-se em fluido “biodegradável”, como se química tivesse consciência ecológica. Como se o mar fosse um ralo infinito.

Estamos falando da maior faixa contínua de manguezais do planeta, de recifes sensíveis, de correntes marítimas violentas, de povos indígenas e quilombolas que sequer foram consultados — porque ouvir dá trabalho, e atrasar lucro é pecado mortal.

Entre 1975 e 2014, mais de 95% dos acidentes ocorreram em águas profundas. Estatística não é ideologia. É aviso. Ignorá-la é arrogância técnica travestida de desenvolvimento.

A pergunta não é se o vazamento foi pequeno. É se estamos dispostos a transformar um santuário natural em laboratório de riscos irreversíveis.

Veja o comentário em vídeo (aqui)



Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques

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