POR RICARDO MARQUES
O Maranhão é um estado paradoxal. Abriga quase 7 milhões de brasileiros e um dos cenários naturais mais deslumbrantes do planeta, os Lençóis Maranhenses, mas ainda convive com uma realidade que envergonha qualquer projeto civilizatório. Segundo dados oficiais do SINISA — o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico —, pouco mais da metade da população — cerca de 54% — tem acesso à água potável. Coleta de esgoto? Apenas 29,9%. E do esgoto gerado, só 12,8% são tratados. O resto segue seu curso natural: rios, praias, ruas e a paciência da população.
É como vender cartão-postal de dunas brancas enquanto se empurra a sujeira para debaixo da areia. Sem saneamento, não há turismo sustentável, não há imagem positiva, não há futuro econômico. Áreas contaminadas afastam visitantes, corroem oportunidades e transformam um paraíso em vitrine de descaso.
E o mais irônico: estudos mostram que universalizar o saneamento pode gerar bilhões em ganhos econômicos, empregos e valorização ambiental. Ou seja, falta dinheiro? Não. Falta prioridade.
Em ano eleitoral, saneamento não deveria ser promessa genérica, mas cobrança diária. Porque água tratada e esgoto digno não são luxo — são o mínimo.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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