POR RICARDO MARQUES
A solidão é um espelho curioso: para alguns, revela paz; para outros, escancara abismos. Há quem a procure como quem busca silêncio para organizar a alma. E há quem a tema, porque no vazio surgem perguntas que ninguém responde por nós.
O mistério da solidão está aí. Ela não é boa nem ruim em si. É ferramenta. Pode ser abrigo ou prisão. Na dose certa, a solidão ensina autonomia, fortalece o pensamento, amadurece escolhas. É no estar só que muita gente se encontra. Descobre limites, desejos, valores. Aprende a gostar da própria companhia — o que não é pouco.
Mas há o outro lado. Quando a solidão deixa de ser escolha e vira abandono, ela corrói. Isola, entristece, cria fantasmas. A falta do outro — do olhar, da escuta, do afeto — pode transformar o silêncio em peso insuportável. Ninguém é feito para viver permanentemente sem vínculos.
Talvez o segredo esteja no equilíbrio: saber ficar só sem se fechar ao mundo. Usar a solidão como pausa, não como morada definitiva. Porque viver é, ao mesmo tempo, um exercício de interioridade e de encontro.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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