POR RICARDO MARQUES
Hoje é meu aniversário. Já se passaram tantas luas que até me perco na conta — e talvez isso seja um bom sinal. Millôr Fernandes dizia que “cada vela soprada no bolo do aniversário é parte da contagem regressiva”. É verdade. Mas envelhecer não é apenas perder tempo: é ganhar densidade.
A juventude acredita que o tempo é infinito. A maturidade aprende que ele é precioso. Envelhecer é trocar pressa por sentido, barulho por escuta, quantidade por qualidade. É quando a gente entende que nem toda vitória faz barulho e que muitas derrotas, silenciosas, nos salvam.
O corpo cobra, a memória falha, os espelhos ficam mais sinceros. Mas, em compensação, a alma aprende atalhos. A gente passa a escolher melhor as batalhas, as companhias, as palavras. Descobre que dizer “não” também é uma forma de liberdade.
Envelhecer é aceitar que a vida não é um ensaio geral. É o espetáculo em cartaz, sem reprise. E, apesar das dores, das perdas e das cicatrizes, ainda vale a pena aplaudir de pé o simples fato de estar aqui.
Porque viver muito não é um castigo. É um privilégio.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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