POR RICARDO MARQUES
Há algo de profundamente errado quando ex-ministros e ministros do Supremo começam a orbitar bancos sob investigação como se fosse coisa normal, como se toga fosse salvo-conduto moral. Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Banco Master. Três nomes, um mesmo constrangimento: o da promiscuidade elegante entre poder, dinheiro e vaidade.
Não é ilegal, dizem. Ótimo. Mas desde quando ética se mede apenas pelo Código Penal? O problema não é o crime. É o exemplo. É a liturgia da função sendo tratada como peça de decoração.
O Supremo, que deveria ser o último reduto da sobriedade republicana, parece, às vezes, um salão do Olimpo tropical, onde deuses se acham acima de qualquer suspeita, acima da crítica, acima do pudor institucional. Tudo é permitido. Tudo é explicável. Tudo é conveniente.
E o cidadão comum? Esse continua acreditando que justiça é coisa sagrada, enquanto vê seus guardiões flertando com interesses privados, contratos nebulosos, relações que jamais passariam pelo crivo de um servidor médio.
O constrangimento não é pessoal. É institucional. É o desgaste lento da confiança pública. É a sensação de que a toga virou cartão de visita.
A pergunta incômoda é simples: quem vigia os vigilantes? Que mecanismo impõe postura ética mínima a ministros que se comportam como intocáveis?
Sem resposta, o Olimpo segue blindado. Mas a credibilidade… essa vai derretendo em silêncio.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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