POR RICARDO MARQUES
Na greve dos ônibus de São Luís, o prefeito Eduardo Braide reaparece no papel em que se especializou: o de espectador indignado. Nada é com ele. Nada é culpa dele. O inferno, diria Jean-Paul Sartre, são sempre os outros.
Braide aponta o dedo para empresários, para o governo do Estado, para a Câmara de Vereadores, para o vento, para o acaso — menos para o espelho. Governa como quem grava vídeo: muita pose, pouca responsabilidade. É o prefeito TikTok, mestre em likes, amador em gestão.
Durante entrevista à TV Mirante, o vereador Raimundo Penha fez o que o prefeito evita: falou de fatos. Lembrou que o transporte coletivo é competência direta do município, que a prefeitura subsidia o sistema, define regras, contratos, reajustes — e, portanto, não pode fingir surpresa quando tudo entra em colapso.
Penha desmontou a encenação. Mostrou que não se trata de greve “dos outros”, mas do resultado previsível de uma gestão que prefere terceirizar culpas a enfrentar problemas. Braide posa de vítima, mas governa como ausente. E ausência, em política, também é decisão.
São Luís não precisa de um influenciador digital no Palácio de La Ravardière. Precisa de prefeito. De alguém que assuma o volante, em vez de gravar stories enquanto a cidade perde o ônibus — e a paciência.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
Deixe seu comentário aqui
Comentários
Nenhum comentário foi encontrado, seja o primeiro a comentar!