POR RICARDO MARQUES
O ICMBio deu parecer contrário ao projeto do Porto de Luís Correia, planejado para o litoral do Piauí. A análise conclui que o empreendimento não atende às normas ambientais que regem a APA Delta do Parnaíba, sendo classificado como tecnicamente incompatível e juridicamente inviável. O caso expõe, com nitidez, o que também está em jogo na Margem Equatorial: riscos ambientais graves sendo negligenciados em nome de pressa política e interesses econômicos. A exploração de petróleo naquela região, que inicialmente recebeu parecer contrário do IBAMA e depois avançou sob forte pressão, representa mais que um simples projeto energético — é um risco de agressão grave e direta a ecossistemas sensíveis e a comunidades que dependem deles.
Estamos falando de uma fronteira ecológica que abriga biodiversidade rara, rotas de migração marinha, pesca artesanal e modos de vida tradicionais. A perfuração e o transporte de petróleo aumentam o risco de vazamentos, ampliam a dragagem, intensificam o tráfego marítimo e ampliam ruídos e poluentes em áreas que deveriam ser prioridade de preservação. E, além disso, insistir em combustíveis fósseis é remar para trás: trata-se de uma matriz energética ultrapassada, altamente poluente e incompatível com metas climáticas que o próprio país assumiu.
Ao ignorar alertas técnicos e relaxar critérios ambientais, abrimos mão de prudência, colocamos em risco territórios frágeis e apostamos no passado — quando o futuro exige transição limpa, planejamento sério e respeito à ciência.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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