POR RICARDO MARQUES
Houve um tempo em que o Maranhão virou manchete nacional como se tivesse descoberto a roda: “o maior salário de professor do Brasil”. Soava bonito. Dava like. Rendia aplauso em seminário progressista. O número era preciso: R$ 6.358,96.
O problema é que esse salário não era do professor maranhense. Era de um recorte do professor maranhense. Poucos. Muito poucos. Algo em torno de um quinto da rede estadual. Gente com 40 horas, com gratificações específicas, encaixada num modelo quase teórico de remuneração — uma narrativa, espalhada pelo Ministério da Verdade da época. O resto? A maioria esmagadora seguia recebendo salários bem abaixo da cifra mágica.
Transformaram exceção em regra. PowerPoint em política pública. Manchete em contracheque alheio. É o velho truque: você não melhora a vida das pessoas, melhora o discurso sobre a vida delas. E chama isso de justiça social.
Valorizar professor não é inflar número para exportação midiática. É pagar bem a todos, com transparência, sem marketing messiânico. O resto é propaganda — e propaganda não alfabetiza ninguém.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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