POR RICARDO MARQUES
A proposta do PT ao PSOL para formarem uma federação pode até parecer pragmática, mas, na essência, é um erro político — e um risco moral.
O PSOL é hoje um dos raros partidos no Congresso que ainda se insurgem contra a corrupção, os conchavos fisiológicos e as derrapagens éticas, inclusive quando elas vêm de dentro do próprio campo progressista. Essa independência não é defeito. É patrimônio.
Uma federação não é uma aliança eleitoral qualquer. Ela dura, no mínimo, quatro anos, obriga voto conjunto, estratégia comum e disciplina partidária rígida — sob pena de sanções severas em caso de ruptura. Ou seja: quem entra perde autonomia.
E sejamos francos: numa federação, quem dita o tom é o maior. A bússola apontaria para o PT — ainda mais sob a liderança de Lula da Silva. Não por maldade, mas por força gravitacional. Partido grande não orbita; ele atrai.
A esquerda precisa de unidade contra o extremismo? Precisa. Mas unidade não é uniformidade. Democracia também é pluralidade interna.
O PSOL cresceu justamente porque ousou ser diferente e porque nunca abriu mão da crítica quando necessário. Transformá-lo em apêndice seria empobrecer o debate público e enfraquecer o próprio campo progressista.
Partido que abdica da própria voz vira departamento interno de outro. E o Brasil já sofre demais com partidos sem identidade clara. Não precisamos de menos divergência. Precisamos de mais independência.
Porque o Brasil já tem partidos demais. O que falta são vozes independentes — aquelas que não pedem licença para pensar.
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Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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