POR RICARDO MARQUES
A semana findante nos deixou uma sensação incômoda — aquela mistura de constrangimento e incredulidade com que o mundo agora observa o Brasil da toga em destaque. E não é por bravura democrática. É por… escândalo ético.
A venerável The Economist — sim, aquela revista britânica que não desperdiça tinta com folclore tropical — estampou que o Supremo Tribunal Federal estaria no centro de um “enorme escândalo”, com juízes “muito poderosos”, demasiado próximos de elites empresariais e políticas, envolvidos em relações que fariam qualquer manual de ética fechar a capa e suspirar.
Traduzindo: numa era em que instituições deveriam ser faróis da democracia, nós exportamos manchetes constrangedoras. O que deveria simbolizar equilíbrio virou enredo internacional. Ministros aparecem como protagonistas de reportagens sobre contratos milionários com banqueiros investigados, enquanto as explicações misturam negativas protocolares, desconversas calculadas e o velho chá morno do “não fizemos nada demais” — sob o olhar atento de um mundo que já consulta o seu vocabulário de descrédito.
Alguns dirão que é exagero estrangeiro. Outros, má vontade editorial. Mas democracia não vive só de decisões formais; vive de confiança. E confiança, quando se desgasta, não faz barulho — faz eco.
E o eco já ultrapassou as nossas fronteiras.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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