POR RICARDO MARQUES
Meu pai morreu aos 30 anos. "Jovem demais para morrer" — como diz o filme, clássico dos anos 90. Durante muito tempo, isso me deu uma estranha certeza: a de que eu também partiria cedo. Cresci com a ideia de que o tempo seria curto, quase emprestado.
Mas o tempo passou. E eu fiquei.
Envelhecer, descobri, não é apenas resistir à morte. É aprender a habitar o mundo com mais calma, menos pressa e menos ilusões. É entender que a vida não nos cobra heroísmos diários, mas presença.
Hoje, envelheço feliz. E prestes a ser avô.
Um amigo poeta me disse algo bonito: filhos e netos são como livros que a gente escreve. Não para nos explicar, mas para nos continuar. São a perpetuação que dá sentido ao que fomos e ao que ainda somos.
Talvez envelhecer seja isso: aceitar que não controlamos o fim, mas podemos cuidar do que fica. E, se a morte nos ensina o limite, filhos e netos nos ensinam a permanência.
Eu que achei que morreria jovem, sigo aqui — vivendo, envelhecendo… Agradecido.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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