POR RICARDO MARQUES
Há coisas que beiram o surrealismo político. Em São Luís, mais de R$ 20 milhões em emendas destinadas ao Hospital Aldenora Bello continuam retidos pela prefeitura. Dinheiro carimbado para salvar vidas. Dinheiro público. Dinheiro que deveria estar ajudando um hospital que atende a maior parte dos pacientes com câncer do Maranhão. Mas está parado. Em silêncio administrativo.
Parte desses recursos — cerca de R$ 12 milhões — foi destinada por vereadores para a construção de uma ala oncológica pediátrica, num estado onde centenas de crianças enfrentam o câncer todos os anos. E, mesmo sendo emendas impositivas — ou seja, de execução obrigatória — o pagamento continua zerado.
Agora surge um detalhe revelador: documentos oficiais protocolados pelos próprios vereadores desmontam a versão apresentada pela prefeitura. O prefeito alegou que as emendas seriam para custeio. Mas os ofícios mostram claramente a destinação para a construção da ala pediátrica do hospital.
Enquanto isso, a política segue seu teatro: discursos inflamados, vídeos nas redes, narrativas heroicas… mas o cofre continua fechado para quem precisa de tratamento.
É curioso: quando era deputado, Eduardo Braide cobrava com veemência a liberação de recursos para o próprio Aldenora Bello. Agora, sentado na cadeira de prefeito, parece ter descoberto uma nova especialidade administrativa: reter dinheiro da saúde enquanto trava queda de braço com vereadores.
E assim vamos vivendo neste país tropical: onde a política discute poder… enquanto pacientes esperam quimioterapia.
No fim das contas, a pergunta é simples, quase cruel: o que pesa mais na balança — o cálculo político ou a vida das pessoas?
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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