POR RICARDO MARQUES
De tempos em tempos, reaparece aquele velho preconceito travestido de piada:
“o Nordeste vive de benefício”.
Dizem isso com um certo ar de superioridade… quase aristocrático.
Mas vamos aos fatos — esses estraga-prazeres.
É verdade: no Nordeste, sobretudo na Bahia e no Maranhão, há mais gente recebendo auxílio social.
Mas por quê?
Porque ali há mais pobreza.
Porque ali falta renda.
Porque ali sobra abandono histórico.
Não é privilégio. É necessidade.
Agora, vamos olhar para os “ricos”.
Estados como São Paulo e Rio Grande do Sul
adoram posar de locomotiva do Brasil.
Mas vivem com a mão estendida — só que com mais elegância.
Devem bilhões.
Renegociam dívidas.
Recebem incentivos.
Consomem fatias generosas do orçamento federal.
E ainda têm a ousadia de apontar o dedo.
No fundo, é uma inversão moral grotesca:
Quem recebe para não passar fome é chamado de dependente.
Quem recebe para tapar rombo fiscal posa de virtuoso.
O Nordeste pede ajuda para sobreviver.
O Sul e o Sudeste pedem ajuda para sustentar seus próprios excessos.
E no meio disso tudo, o Maranhão — sempre lembrado como símbolo de pobreza — vira alvo fácil de deboche…
Quando, na verdade, é retrato fiel de um país que nunca repartiu direito suas oportunidades.
No Brasil, até a dependência é desigual.
E os mais dependentes, curiosamente, são os que mais zombam dos outros.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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