POR RICARDO MARQUES
O Congresso Nacional acaba de realizar mais um daqueles milagres brasileiros que fariam até o velho Nicolau Maquiavel pedir aposentadoria. Derrubaram o veto presidencial e liberaram doações, benefícios e repasses a estados e municípios em pleno período eleitoral. Sim… em pleno período eleitoral.
Traduzindo do português de Brasília para o português do povo: agora pode chover ambulância, trator, cesta básica, asfalto, convênio e dinheiro público exatamente na época em que candidatos estão desesperados por votos.
É como proibir bebida no trânsito… e depois distribuir uísque no acostamento.
O mais impressionante não é a decisão. O impressionante é a naturalidade obscena com que ela acontece. Em Brasília, arrancar a cerca de proteção da eleição virou “articulação política”. O escândalo já nem cora mais ninguém. A vergonha entrou em recesso parlamentar permanente.
Inventaram até um nome elegante: “flexibilização do defeso eleitoral”. Brasília adora isso. Quando quer esconder um pecado, coloca gravata na palavra.
No fundo, o que fizeram foi institucionalizar o velho comício com dinheiro público. O contribuinte paga o imposto… e depois assiste ao político distribuir o próprio dinheiro como se fosse Papai Noel de gabinete.
Rui Barbosa já alertava: “De tanto ver triunfar as nulidades… o homem chega a ter vergonha de ser honesto.”
E o Brasil segue assim: a República onde a campanha eleitoral começa no cofre… e termina na urna.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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