POR RICARDO MARQUES
A política tem dessas ironias. O que parecia ser o início de uma crise no grupo do governador Carlos Brandão acabou produzindo exatamente o efeito contrário.
Muita gente apostava que a entrada de Roseana Sarney na disputa pelo Senado abriria uma disputa interna, provocaria insatisfações e fragmentaria a base governista. Mas o que aconteceu foi uma demonstração de articulação política.
Pedro Lucas Fernandes abriu mão da candidatura ao Senado e retornou à disputa pela reeleição à Câmara dos Deputados. Paulo Casé também recalculou a rota. Houve renúncias pessoais em nome de um projeto maior.
E o resultado é uma chapa de enorme densidade eleitoral.
Orleans Brandão terá como candidato a vice-governador o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior. Para o Senado, estarão ao seu lado Weverton Rocha, senador em busca da reeleição, e Roseana Sarney, a maior liderança eleitoral da história recente do Maranhão. E esse mesmo palanque deverá receber o presidente Lula como candidato à reeleição.
Essa chapa reúne a força política de Carlos Brandão no comando do Estado, a capilaridade de Weverton Rocha no interior, a memória eleitoral de Roseana Sarney, o recall de Edivaldo Holanda Júnior na capital e a popularidade de Lula no Maranhão.
Poucas vezes se viu, no estado, uma composição reunindo tantas lideranças com peso eleitoral e alcance político.
Isso significa que a eleição está decidida? Evidentemente que não.
Não há eleição vencida por antecipação. Mas há movimentos que mudam o peso dos contendores. E este foi, sem dúvida, um deles.
O grupo governista demonstrou algo indispensável para quem pretende continuar no poder: capacidade de administrar interesses, acomodar divergências e colocar o projeto político acima das ambições individuais.
Enquanto alguns ainda discutem quem lidera o próprio campo, Orleans Brandão passa a comandar uma frente política que reúne o governo estadual, o MDB, o PDT, o Republicanos, o União Brasil e, ao que tudo indica, também o principal cabo eleitoral do Maranhão: o presidente Lula.
Na política, alianças não garantem vitória. Mas a incapacidade de construí-las quase sempre leva à derrota.
E foi exatamente isso que a noite desta segunda-feira deixou claro: mais do que anunciar uma chapa, o grupo de Carlos Brandão apresentou uma demonstração de força política.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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