POR RICARDO MARQUES
Os alquimistas passaram séculos tentando descobrir o quinto elemento.
Algo acima da terra, da água, do fogo e do ar.
Uma substância invisível capaz de unir matéria e espírito.
Talvez procurassem o orgasmo.
Porque o orgasmo é uma das poucas experiências humanas em que o corpo parece ultrapassar os próprios limites.
Por alguns segundos, o pensamento se dissolve, o ego desaparece, o tempo perde sentido.
É carne, sim.
Mas talvez seja também transcendência.
Há quem trate o orgasmo como pura química:
hormônios, impulsos, instinto animal.
E há verdade nisso.
O desejo nasce no corpo.
Mas nem todo orgasmo é igual.
Existem orgasmos que apenas aliviam.
E existem aqueles que atravessam a alma.
Porque quando há envolvimento emocional, não é apenas a pele que toca a pele.
São medos, memórias, afetos e vulnerabilidades entrando em contato.
O desejo acende.
Mas é o sentimento que aprofunda.
Talvez por isso algumas pessoas passem a vida inteira confundindo intensidade com prazer.
E descubram tarde demais que o corpo pode até explodir sozinho — mas é o afeto que transforma explosão em eternidade.
No fim, talvez o orgasmo seja exatamente isso:
o raro instante em que a carne deixa de ser apenas carne.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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