POR RICARDO MARQUES
A história, às vezes, tem dessas ironias.
Em 2014, em plena campanha eleitoral, um preso de Pedrinhas apareceu em vídeo fazendo uma acusação gravíssima contra Flávio Dino, então candidato ao Governo do Maranhão.
Pouco depois, voltou atrás.
Disse que havia recebido uma proposta para acusar Dino falsamente.
Naquela época, entre os que saíram em defesa de Flávio Dino estava Raimundo Cutrim.
Doze anos depois, os papéis são outros — e a coincidência chama atenção.
Gilbson César, condenado pelo assassinato de João Bosco, inicialmente assumiu o crime atribuindo-o a uma questão pessoal entre ele e a vítima.
Posteriormente, apresentou outra versão, com alegações que alcançam personagens da política maranhense, inclusive o governador Carlos Brandão.
Essa versão aparece agora em relatório da Polícia Federal reproduzido em decisão do ministro Flávio Dino.
São casos diferentes.
E seria irresponsável dizer que uma história prova alguma coisa sobre a outra.
Mas a história de 2014 deixa uma lição importante para 2026: a palavra de alguém envolvido em um crime pode e deve ser investigada.
Mas, sobretudo quando essa versão muda e produz consequências políticas em pleno período eleitoral, ela precisa encontrar confirmação em provas independentes.
Flávio Dino conhece essa realidade talvez melhor do que muita gente.
Já esteve do lado de quem recebeu uma acusação devastadora feita por um preso em plena campanha eleitoral.
Hoje está na posição de magistrado.
E justamente por isso, a régua precisa ser ainda mais alta.
Porque depoimento pode ser ponto de partida para uma investigação.
Jamais deve ser, sozinho, ponto de chegada para uma condenação.
Quando a versão muda, é a prova que precisa falar.
Veja o comentário em vídeo (aqui)
Fonte: O comentário do dia de Ricardo Marques
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