Supremo desgaste
POR RICARDO MARQUES
A semana findante nos deixou uma sensação incômoda — aquela mistura de constrangimento e incredulidade com que o mundo agora observa o Brasil da toga em destaque. E não é por bravura democrática. É por… escândalo ético.
A venerável The Economist — sim, aquela revista britânica que não desperdiça tinta com folclore tropical — estampou que o Supremo Tribunal Federal estaria no centro de um “enorme escândalo”, com juízes “muito poderosos”,...
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Independência não se negocia
POR RICARDO MARQUES
A proposta do PT ao PSOL para formarem uma federação pode até parecer pragmática, mas, na essência, é um erro político — e um risco moral.
O PSOL é hoje um dos raros partidos no Congresso que ainda se insurgem contra a corrupção, os conchavos fisiológicos e as derrapagens éticas, inclusive quando elas vêm de dentro do próprio campo progressista. Essa independência não é defeito. É patrimônio.
Uma federação não é uma aliança eleitoral...
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Agonia dos ansiosos
POR RICARDO MARQUES
No Maranhão, basta um sussurro em Brasília para nascer um velório político antecipado. Agora inventaram a tal “inviabilidade” do apoio do PT a Orleans Brandão — como se a eleição fosse novela das seis, em que o destino já vem escrito no último capítulo.
Vamos combinar: no PT, quem decide não é a ansiedade dos analistas nem a pressa das colunas políticas. Quem decide é Lula. E Lula, meus caros, não costuma jogar fora aliados úteis quando está...
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O salário que só existia no discurso
POR RICARDO MARQUES
Houve um tempo em que o Maranhão virou manchete nacional como se tivesse descoberto a roda: “o maior salário de professor do Brasil”. Soava bonito. Dava like. Rendia aplauso em seminário progressista. O número era preciso: R$ 6.358,96.
O problema é que esse salário não era do professor maranhense. Era de um recorte do professor maranhense. Poucos. Muito poucos. Algo em torno de um quinto da rede estadual. Gente com 40 horas, com gratificações...
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A Ucrânia resiste
POR RICARDO MARQUES
Wladimir Putim disse que precisaria de apenas alguns dias para tomar a Ucrânia. Quatro anos depois — desde 24 de fevereiro de 2022 — a guerra continua, sangrando a Europa e desmoralizando a arrogância imperial da Rússia. A promessa de blitz virou atoleiro histórico.
Há uma lição que tiranos insistem em ignorar: povos não são territórios; são memórias. E a memória ucraniana é feita de cinzas e renascimentos. A capital, Kiev, já foi destruída duas...
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Prioridades de banana
POR RICARDO MARQUES
No país onde a corrupção faz carnaval fora de época — e sem precisar de abadá — o Ministério Público Federal resolveu entrar em campo contra a… pronúncia da palavra “recorde” na TV Globo. Isso mesmo. Enquanto bilhões evaporam com a elegância de um truque de ilusionismo, discute-se se o apresentador disse “récorde” ou “recórde”. É o Brasil transformando a fonética em questão de Estado.
A cena seria cômica, se não fosse trágica....
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Entre o medo e o passo
POR RICARDO MARQUES
A vida não é uma linha reta — é uma estrada cheia de curvas, bifurcações e placas confusas. Em certos trechos, a gente anda com convicção; em outros, caminha tateando no escuro. E tudo bem. Dúvida não é fraqueza — é sinal de consciência. Só quem pensa, hesita.
Há momentos em que o medo grita alto: medo de errar, de perder, de recomeçar. A insegurança nos visita como se fosse dona da casa. Mas ela não é. Ela é apenas um aviso de que estamos...
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Ônibus fantasma
POR RICARDO MARQUES
Há um personagem trágico vagando pelas ruas de São Luís: o passageiro de ônibus. Ele não pega condução — ele espera um milagre. E milagre, como sabemos, só acontece em procissão. Na vida real, o que há é atraso, superlotação e humilhação diária.
Como bem lembrou o jornalista Leonardo Alves, do portal Difusora News, anteontem completou um ano — repito, um ano — desde que o prefeito Eduardo Braide anunciou, com solenidade quase bíblica, a...
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A dívida, o discurso e a hipocrisia
POR RICARDO MARQUES
Há números que não explicam o Brasil. Eles desnudam o Brasil. São Paulo deve mais de 370 bilhões de reais. O Rio de Janeiro, quase 220 bilhões. Minas Gerais passa dos 190 bilhões. O Rio Grande do Sul flerta com os 130 bilhões. Estados ricos, modernos, cheios de discurso meritocrático — e profundamente endividados. Uma espécie de luxo brasileiro: dever muito e ainda dar lição de moral.
Enquanto isso, o Maranhão aparece com algo em torno de 5 bilhões em...
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A ressaca da alma
POR RICARDO MARQUES
A Quarta-feira de Cinzas é o dia em que o Brasil se olha no espelho sem purpurina. A maquiagem escorreu, o glitter virou poeira doméstica, e o samba — ah, o samba — dorme num canto, como um amante exausto depois da madrugada.
Ontem, éramos deuses pagãos, abraçados à eternidade de quatro dias. Hoje, somos mortais outra vez. A carne, que foi rainha, volta a ser serva. O tambor silencia e, no silêncio, ouvimos algo mais antigo que o Carnaval: a nossa própria...
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